01
Fev
08

Adeus

Como se houvesse uma tempestade

escurecendo os teus cabelos,

ou se preferes, a minha boca nos teus olhos,

carregada de flor e dos teus dedos;

 

como se houvesse uma criança cega

aos tropeções dentro de ti,

eu falei em neve, e tu calavas

a voz onde contigo me perdi.

 

Como se a noite viesse e te levasse,

eu era só fome o que sentia;

digo-te adeus, como se não voltasse

ao país onde o teu corpo principia.

 

Como se houvesse nuvens sobre nuvens,

e sobre as nuvens mar perfeito,

ou se preferes, a tua boca clara

singrando largamente no meu peito.



"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade

 

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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)
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