Gato dos quintais Gato dos portões, Gato dos quartéis Gato das pensões. Vêm da Índia, da Pérsia, De Ninive, Alexandria. Vêm do lado da noite, Do oiro e rosa do dia. Gato das duquesas, Gato das meninas, Gato das viúvas, Gato das ruínas. Gatos e gatos e gatos. Arre, que já estamos fartos! Um bom domingo para todas as crianças!!! Para este Natal: www.unicef.pt
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Gatos
A rosa e o mar
Eu gostaria ainda de falar da rosa brava e do mar. A rosa é tão delicada, o mar tão impetuoso, que não sei como os juntar e convidar para um chá na casa breve do poema. O melhor é não falar: sorrir-lhes só da janela. Deixo hoje um poema do livro infantil de Eugénio de Andrade, "Aquela nuvem e outras", a assinalar no Sal da Língua o dia 1 de Junho, o dia da Criança!
A formiga
Sete palmos, sete metros,
anda a formiga por dia
(sete palmos a correr,
sete metros devagar),
só para lamber o mel
que lentamente escorria
quer da boca quer do pão,
quer dos dedos do Miguel.

Eugénio de Andrade por Graça Martins
Não quero, não
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Quero um cavalo só meu,
seja baio ou alazão,
sentir o vento na cara,
sentir a rédea na mão.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer que não.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Canção de Leonoreta
Borboleta, borboleta,
flor do ar,
onde vais, que me não levas?
Onde vais tu, Leonoreta?
Vou ao rio, e tenho pressa,
não te ponhas no caminho.
Vou ver o jacarandá,
que já deve estar florido.
Leonoreta, Leonoreta,
que me não levas contigo.
O lagarto
Vejam que janota
o lagarto vem!
Parece um ministro.
Irá a Belém?
Vem do costureiro?
Vem de trabalhar?
Que pergunta tola:
vem só de almoçar.
E que bem comeu
o nosso janota!
Quem seria o parvo
que pagou a conta?
Rosa
É uma rosa amarela.
Uma rosa de verão.
Sempre uma rosa em botão
estava posta à janela.
Quem mora naquela casa
certamente que sabia
quanto essa rosa em botão,
seja branca ou amarela,
perfuma todo o verão.
Aquela nuvem
- É tão bom ser nuvem,
ter um corpo leve,
e passar, passar.
- Leva-me contigo.
Quero ver Granada.
Quero ver o mar.
- Granada é longe,
o mar é distante,
não podes voar.
- Para que te serve
ser nuvem, se não
me podes levar?
- Serve para te ver.
E passar, passar.
O Pastor
Pastor, pastorinho,
onde vais sozinho?
Vou àquela serra
buscar uma ovelha.
Porque vais sozinho,
pastor, pastorinho?
Não tenho ninguém
que me queira bem.
Não tens um amigo?
Deixa-me ir contigo.
FELIZ DIA PARA TODAS AS CRIANÇAS
Cavalos
Uma canção de cavalos
me pede o Miguel que escreva:
cavalos de sol sedentos,
mansos cavalos de seda.
Cavalos bebendo a sombra
verde e rosa das palmeiras
ou bailando nas areias
com as luzes derradeiras.
Cavalos de romanceiro
disparados como setas
em terras da minha terra
ou só na minha cabeça.
Cavalos de sol sedentos,
mansos cavalos de seda:
uma canção de cavalos
me pede o Miguel que escreva.