O Sal da Língua sugere uma ida ao cinema para ver o filme Florbela, que já está nas salas um pouco por todo o país e que retrata uma das fases da vida da poetisa Florbela Espanca, um dos nomes incontornáveis da poesia portuguesa do século XX. A actriz Dalila Carmo entrega-se de corpo e alma para nos dar um retrato conseguido de uma época, de um enquadramento político e social, mas sobretudo de uma mulher – Florbela – desajustada perante as várias realidades de que fazia parte – o casamento, o amor às pessoas que a rodeavam, a família, o Alentejo, Portugal. O filme tem algumas fraquezas mas é uma homenagem à vida de Florbela e através da sua vida, mostrada no ecrã, somos conduzidos inevitavelmente ao mais fundo da sua poesia.
“Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino, amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!
Sou aquela que passa e ninguém vê
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que Alguém sonhou…
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca

