09
Fev
08

Que diremos ainda?

Vê como de súbito o céu se fecha

sobre dunas e barcos,

e cada um de nós se volta a fixa

os olhos um no outro,

e como deles devagar escorre

a última luz sobre as areias.

 

Que diremos ainda? Serão palavras,

isto que aflora aos lábios?

Palavras, este rumor tão leve

que ouvimos o dia desprender-se?

Palavras, ou luz ainda?

 

Palavras, não. Quem as sabia?

Foi apenas lembrança de outra luz.

Nem luz seria, apenas outro olhar.

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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