Arquivo de 5 de Junho, 2008

05
Jun
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Canção breve

Tudo me prende à terra onde me dei:

o rio subitamente adolescente,

a luz tropeçando nas esquinas,

as areias onde ardi impaciente.

 

Tudo me prende do mesmo triste amor

que há em saber que a vida pouco dura,

e nela ponho a esperança e o calor

de uns dedos com restos de ternura.

 

Dizem que há outros céus e outras luas

e outros olhos densos de alegria,

mas eu sou destas casas, destas ruas,

deste amor a escorrer melancolia.

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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