Arquivo de 8 de Junho, 2008

08
Jun
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Sul

Era por agosto, há muitos anos.

O cheiro da sombra

das oliveiras subia ao ar. Vista de baixo

aquela folhagem parecia um mar,

um mar de vidro,

quando o sol oblíquo lhe caía em cima.

Eram dois cães raivosos, eram duas

cobras enroscadas, eram dois rapazes

rolando pelo chão; lutavam,

mordiam-se, abraçavam-se.

Deviam amar-se muito, para se baterem

com tal ardor. Um sol verde

lambia agora a terra.

Eram muito novos, há muitos anos,

no pino do verão, debaixo de uma oliveira,

onde só as cigarras monotonamente

consentiam.




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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