Arquivo de 11 de Junho, 2008

11
Jun
08

Já não se vê o trigo

Já não se vê o trigo,

a vagarosa ondulação dos montes.

Não se pode dizer que fossem contigo,

tu só levaste esse modo

 

infantil de saltar o muro,

de levar à boca

um punhado de cerejas pretas,

de esconder o sorriso no bolso,

 

certa maneira de assobiar às rolas

ou então pedir um copo de água,

e dormir em novelo,

como só os gatos dormem.

 

Tudo isso eras tu, sujo de amoras.

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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