06
Out
08

Lisboa

Alguém diz com lentidão:

«Lisboa, sabes…»

Eu sei. É uma rapariga

descalça e leve,

um vento súbito e claro

nos cabelos,            

algumas rugas finas

a espreitar-me os olhos,

a solidão aberta

nos lábios e nos dedos,

descendo degraus

e degraus

e degraus até ao rio.

 

Eu sei. E tu, sabias?


2 Responses to “Lisboa”


  1. Outubro 6, 2008 às 11:07 am

    Este poema foi musicado e gravado pelos Trovante. Uma canção belíssima.

  2. 2 Raquel Agra
    Outubro 7, 2008 às 8:49 am

    Não sabia que este poema tinha sido musicado. Acredito que os Trovante tenham feito um excelente trabalho. Versão musicada de um poema de EA vem-me à memória a voz de Fausto cantando o “Não canto porque sonho”.
    Obrigada e boas leituras.


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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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