Arquivo de 15 de Outubro, 2008

15
Out
08

Às vezes

Às vezes oiço morrer o silêncio –

é o mar que se afasta,

um ramo que partiu com

o insuportável peso

 

do mundo sobre o verde das suas

folhas, o silvo da lua

nova rasgando o chão das águas

estremunhadas, a rouca

 

respiração da casa

sufocada pelo glacial

ar das ruas, os passos de Abril

descendo os últimos degraus.




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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