Arquivo de 17 de Outubro, 2008

17
Out
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Raivosos, atiram-se contra a sombra

Raivosos, atiram-se contra a sombra

de umas acácias que por ali havia,

o corpo dorido de tanto desejar.

Olharam em redor, ninguém os vira,

 

a terra era de areia, a sombra dura,

também a carne endurecera

e secara a boca, só os olhos

tinham ainda alguma água fresca.

 

Os dedos cegos foram os primeiros

a rasgar, ferir, e logo os dentes

morderam, nem sequer

ao sexo deram tempo de penetrar.

 

Eram muito jovens; a terra não,

a terra estava exausta,

o coração mordido pelas vespas,

só queria morrer.




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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