09
Nov
08

O silêncio

Quando a ternura

parece já do seu ofício fatigada,

 

e o sono, a mais incerta barca,

ainda demora,

 

quando azuis irrompem

os teus olhos

 

e procuram

nos meus navegação segura,

 

é que eu te falo das palavras

desamparadas e desertas,

 

pelo silêncio fascinadas.

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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