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Recado para Carlos de Oliveira

Foram vários a partir,

a deixar hábitos

máscaras cobardias – o deserto

sem lacuna dos dias.

Lá onde estás chegaste antes de mim.

O sítio deve ser mais asseado:

guarda-me um lugar perto de ti.

 

Sobre Carlos de Oliveira…

Carlos de Oliveira (1921-1980), poeta português do séc. XX, nasce em Belém do Pará, filho de pais portugueses emigrados no Brasil e, com dois anos, regressa a Portugal. Completa o liceu em Coimbra, no ano de 1933, licenciando-se mais tarde em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra. Durante o período em que vive nessa cidade, Carlos de Oliveira tem a oportunidade de conviver com algumas figuras de destaque da cultura portuguesa, como Joaquim Namorado, Afonso Duarte e Fernando Namora. Nesta cidade participa no grupo do Novo Cancioneiro, na génese do movimento Neo-Realista, de que viria a ser uma das maiores vozes. Colabora nas revistas Altitude e Seara Nova, e dirige durante algum tempo a revista Vértice.

Vem para Lisboa em 1950, onde é professor durante alguns anos, dedicando-se depois ao jornalismo. Como escritor, publicou poesia – Mãe Pobre, Micropaisagem, Trabalho Poético e Pastoral, entre outras obras – e romance – Casa na Duna, Alcateia, Pequenos Burgueses, Uma Abelha na Chuva, Finisterra e O Aprendiz de Feiticeiro.

(fontes: Projecto Vercial; Assírio; Instituto Camões)

 

 

(…) o homem que não dorme pensa: «o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração».

Carlos de Oliveira

 

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1 Response to “Recado para Carlos de Oliveira”


  1. 1 Letícia
    Abril 11, 2010 às 9:33 am

    Alguem me pode dizer de que livro é este poema de Carlos de Oliveira tenho que fazer um trabalho sobre ele e não sei de que livro é:

    Foram vários a partir,

    a deixar hábitos

    máscaras cobardias – o deserto

    sem lacuna dos dias.

    Lá onde estás chegaste antes de mim.

    O sítio deve ser mais asseado:

    guarda-me um lugar perto de ti.


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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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