30
Jan
09

Trago os tordos na cabeça

Trago os tordos na cabeça desde os campos

d’Atalaia para pôr neste poema –

o vento deixava-nos à porta

ora uma luz rasteira ora um esfarelado

chiar de carros de feno,

dos ramos altos

a tarde caía nos cabelos,

vivíamos sem pressa rente aos lábios.

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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