12
Fev
09

Canto firme

Desatar o silêncio,

 

ficar a vê-lo

escorrer na vidraça,

 

entrar na noite,

 

labirinto

onde perco a mão,

 

deixar o sangue

iluminar meu pulso

de terra ardente,

 

ser música ainda,

 

penetrar na

água da palha,

 

seca, dura,

 

no fogo raso

à beira do inverno,

 

procurar a pedra

onde dormir,

 

o estábulo morno

da confidência,

 

os olhos

onde o azul persiste,

 

única fonte,

 

espelho

por onde a sombra

entra devagar,

 

sentir o sangue,

o silêncio

 

arder…

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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