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Que trabalho

Que trabalho exasperado, o da língua,
essa em que dizes com mão insegura
desvios, desacertos, desalinhos.

Aproveito o mote deste poema de Eugénio de Andrade, a propósito dos trabalhos da língua, da língua artística, da criação poética, para apresentar um espaço bastante original e que se debruça precisamente sobre os processos da criação da Poesia, em todas as suas vertentes. É o projecto Vidráguas, da autoria da poetisa brasileira Carmen Silvia Presotto e do fotógrafo também brasileiro Ricardo Hegenbart. Agradeço a Carmen a oportunidade que deu ao Sal da Língua de estar representado no seu espaço Vidráguas e fico bastante feliz por poder dar a minha contribuição para a divulgação da língua de Eugénio. Em relação ao convite, Carmen, só posso dizer que não está esquecido. Um abraço deste lado do mundo, geograficamente falando, pois o milagre da poesia é tornarmo-nos cúmplices nas descobertas e nos sentimentos.

2 Responses to “Que trabalho”


  1. Junho 1, 2009 às 3:00 am

    Um abraço carinhoso Raquel!
    Juntos sempre seremos mais mãos a tocar a Poesia e como dizes:cúmplices nas descobertas e sentimentos rumo a mais Poesia, como é a de Eugénio de Andrade.

    Que bom esta troca, aguardamos tuas palavras, mas querida Raquel, parece que este é o milagre da Poesia: aproximar corações e saiba que todo dia, busco o “Sal da Língua” para mais leituras e aprendizagens sobre a Poesia de Portugal, obrigada pelo teu Trabalho!!!

    Abraços desde Porto Alegre, Brasil.

    Carmen Silvia Presotto

  2. 2 Raquel Agra
    Junho 1, 2009 às 9:06 am

    Obrigada pelas palavras querida Carmen.
    Devolvo-te um extenso abraço desde Portugal e deixo-te na companhia de um poema: “Até ao fim”

    Mas é assim o poema: construído devagar,
    palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
    até ao fim. O que não sei é
    como acabá-lo; ou, até, se
    o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
    puxo o teu corpo
    para o meio dele, deito-o na cama
    da estrofe, dispo-o de frases
    e de adjectivos até te ver,
    tu,
    o mais nu dos pronomes. Ficamos
    assim. Para trás, palavras e versos,
    e tudo o que
    não é preciso dizer:
    eu e tu, chamando o amor
    para que o poema acabe.

    Nuno Júdice (in «Pedro, Lembrando Inês»)


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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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