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Eugénio & Sophia

Hoje trago Sophia para a companhia de Eugénio. 
Cinco anos depois da sua morte, o Jornal Público, na edição do passado domingo, dá-nos conta de alguns excertos de diários, poemas e cartas do espólio de Sophia de Mello Breyner,
presente no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, entre histórias contadas na primeira pessoa por dois dos seus filhos.

Do nosso querido Eugénio de Andrade, para Sophia, há cartas, postais, poemas e textos, como aquele que diz: "De repente ouvia-se uma voz: Onde está a Sophia? Não havia Sophia, mas o ar era fresco como se atravessássemos uma alameda de tílias".

Do mundo de Sophia resolvi trazer um poema inédito apresentado nesse artigo do Público, um poema escrito a tinta permanente azul, num pequenino papel, com data de 31 de Agosto de 1943. O seu nome - Inocência e possibilidade:

As imagens eram próximas
Como coladas sobre os olhos
O que nos dava um rosto justo e liso
Os gestos circulavam sem choque nem ruído
As estrelas eram maduras como frutos
E os homens eram bons sem dar por isso.
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2 Responses to “Eugénio & Sophia”


  1. Junho 23, 2009 às 1:51 am

    Raquel!

    Obrigada por esta leitura!!!
    Que belo casamento poético.

    Um abraço carinhoso,
    Carmen Silvia Presotto

  2. 2 Raquel Agra
    Junho 23, 2009 às 9:21 pm

    Querida Carmen,
    Obrigada pela visita!

    Sim, concordo contigo, de facto Sophia e Eugénio fazem um belo casamento poético, um de vários possíveis. E nesse sentido recomendo a leitura da correspondência que Sophia e Jorge de Sena, outro acarinhado poeta e escritor português, trocaram entre os anos 60 e 70. O livro chama-se “Correspondência, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena” e reúne as cartas que estes dois amigos trocaram entre si. Desde o final dos anos 50, após o exílio de Sena, os dois escritores mantiveram uma correspondência regular, única na nossa história literária e cívica. Um livro emotivo, a não perder.


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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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