Arquivo de 28 de Agosto, 2009

28
Ago
09

Obscuro Domínio

Amar-te assim desvelado
entre barro fresco e ardor.
Sorver entre lábios fendidos
o ardor da luz orvalhada.
 
Deslizar pela vertente
da garganta, ser música
onde o silêncio flui
e se concentra.
 
Irreprimível queimadura
ou vertigem desdobrada
beijo a beijo,
brancura dilacerada.
 
Penetrar na doçura da areia
ou do lume,
na luz queimada
da pupila mais azul,
 
no oiro anoitecido
entre pétalas cerradas,
no alto e navegável
golfo do desejo,
 
onde o furor habita
crispado de agulhas,
onde faça sangrar
as tuas águas nuas.
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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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