07
Set
09

Eu vi essas muralhas ruírem

Eu vi essas muralhas ruírem
sobre o rio — eram calmas as águas
de setembro, e sucessivas.
 
Despedia-me das folhas,
também eu preparava esse abandono
da cidade e das suas almas.
 
Eu vi essas muralhas.
Eram espessas broncas frias.
Ruíram, quando as olhava.
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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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