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Souvenir Africain

O gato aproximou-se, escutando também ele o silêncio hirto das palmeiras, que são no horizonte a primeira coisa verdadeira que nos assoma aos olhos, mesmo antes de haver o que possa chamar-se claridade. O casario afogado no escuro respira anónimo e reles, a face encardida, a fenda estreita da boca por onde dificilmente passará a luz, que de súbito rompeu no terraço e não tardará a escaldar. Depois o sol acalma, e lá para o fim da tarde uma sombra mole escorre do muro para o cimento aquecido. É então que o gato se transforma em cadela, arrastando-se até aos nossos pés, deitando-se de costas, o ventre carnudo ávido do prazer profundo que lhe oferece por fim a mão.

5.6.85
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3 Responses to “Souvenir Africain”


  1. Janeiro 26, 2010 às 12:17 pm

    Cara Raquel,

    tenho uma nova página — http://joaodemancelos.wordpress.com. Já adicionei o seu sítio na lista de páginas recomendadas (coluna da esquerda). Podia, por favor, substituir, na sua página, o endereço anterior da minha pelo novo? Muito obrigado!

    Um abraço,

    J.

  2. 2 Raquel Agra
    Janeiro 29, 2010 às 12:46 am

    João,

    Substituição efectuada e bem vindo ao wordpress!

    Um abraço,
    Raquel


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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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