Arquivo de Abril, 2010

26
Abr
10

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A lembrança do dia

é leve de se ter:

garganta de um jardim,

só aroma ao descer.

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18
Abr
10

Em cada folha

Esta inocência de água

pede-te ardor

mais verde em cada folha

brancura

onde a onda quebrada

vertigem nua.

14
Abr
10

Tu és a esperança, a madrugada

Tu és a esperança, a madrugada.

Nasceste nas tardes de setembro

quando a luz é perfeita e mais doirada,

e há uma fonte crescendo no silêncio

da boca mais sombria e mais fechada.

Para ti criei palavras sem sentido,

inventei brumas, lagos densos,

e deixei no ar braços suspensos

ao encontro da luz que anda contigo.

Tu és a esperança onde deponho

meus versos que não podem ser mais nada.

Esperança minha, onde meus olhos bebem

fundo, como quem bebe a madrugada.

12
Abr
10

Ninguém cheira melhor

Ninguém cheira melhor

nestes dias

do que a terra molhada: é outono.

Talvez por isso a luz,

como quem gosta de falar

da sua vida, se demora à porta,

ou então passa as tardes à janela

confundindo o crepúsculo

com as ruínas

da cal mordida pelas silvas.

Quando se vai embora o pano desce

rapidamente.

11
Abr
10

É um dizer

Estende um pouco mais a mão

recolhe um a um os sinais do desejo

fogo de abelhas o sexo

espera a insurreição da cal

a espessa ondulação do vento

é sobre um corpo a própria exaltação

morrer nos flancos do amor é um dizer

repara como brilham os limoeiros




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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