07
Jun
10

À boca do poço

Às vezes, até a morte pode ser

condescendente: à boca do poço

pára o cavalo, não chega a desmontar,

mas consente que te demores

a contemplar as águas negras,

o rebanho dos chocalhos distantes,

as macieiras perto,

os seus frutos estranhamente acesos.

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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