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Jun
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O mês em que se morre, Eugénio e Saramago

Eugénio escolheu o mês de Junho para morrer. No passado dia 13 completaram-se 5 anos desde o desaparecimento de Eugénio.

Ontem, dia 18, José Saramago parte também, no mês em que a natureza mais floresce e pulsa de vida.

Hoje o Sal da Língua presta homenagem à perda do homem e à imortalidade do génio. A obra é um filho que nunca cresce, é talvez a única forma de permanecermos vivos. Hoje Saramago está tão vivo e tão morto como ontem. A verdade é que o caminho, como ele dizia, nunca acaba.

O viajante está feliz. Nunca na vida teve tão pouca pressa. Senta-se na beira de um destes túmulos, afaga com as pontas dos dedos a superfície da água, tão fria e tão viva, e, por um momento, acredita que vai decifrar todos os segredos do mundo. É uma ilusão que o assalta de longe em longe, não lho levem a mal.

In Viagem a Portugal (1981), Ed. Caminho, 21.ª ed., p. 137

Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro.

In Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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