23
Jun
10

Somos folhas breves onde dormem

Somos folhas breves onde dormem

aves de sombra e solidão.

Somos só folhas e o seu rumor.

Inseguros, incapazes de ser flor,

até a brisa nos perturba e faz tremer.

Por isso a cada gesto que fazemos

Cada ave se transforma noutro ser.

Anúncios

2 Responses to “Somos folhas breves onde dormem”


  1. 1 Luiz Olavo
    Junho 25, 2010 às 11:18 am

    Quando não sabemos quem somos é preciso traduzir-se…

    TRADUZIR-SE
    Ferreira Gullar
    Uma parte de mim
    é todo mundo:
    outra parte é ninguém:
    fundo sem fundo.
    Uma parte de mim
    é multidão:
    outra parte estranheza
    e solidão.
    Uma parte de mim
    pesa, pondera:
    outra parte
    delira.

    Uma parte de mim
    almoça e janta:
    outra parte
    se espanta.
    Uma parte de mim
    é permanente:
    outra parte
    se sabe de repente.

    Uma parte de mim
    é só vertigem:
    outra parte,
    linguagem.

    Traduzir uma parte
    na outra parte
    _ que é uma questão
    de vida ou morte _
    será arte?

  2. 2 Raquel Agra
    Junho 29, 2010 às 10:42 pm

    Caro Luiz Olavo,

    Obrigada pela visita e pelo poema de Ferreira Gullar.
    Retribuo com um poema de Pessoa:

    Temos, todos que vivemos,
    Uma vida que é vivida
    E outra vida que é pensada,
    E a única vida que temos
    É essa que é dividida
    Entre a verdadeira e a errada.

    Um abraço e continuação de boas prosas e melhores versos.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
Junho 2010
S T Q Q S S D
« Maio   Jul »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  
“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

Blog Stats

  • 138,116 hits

%d bloggers like this: