01
Set
10

Fecundou-te a vida nos pinhais

Fecundou-te a vida nos pinhais.

Fecundou-te de seiva e de calor.

Alargou-te o corpo pelos areais

onde o mar se espraia sem contorno e cor.

Pôs-te sonho onde havia apenas

silêncio de rosas por abrir,

e um jeito nas mãos morenas

de quem sabe que o fruto há-de surgir.

Brotou água onde tudo era secura.

Paz onde morava a solidão.

E a certeza de que a sepultura

é uma cova onde não cabe o coração.

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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