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Out
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O olhar

Eu sentia os seus olhos beber os meus;

longamente bebiam, bebiam;

bebiam

até não me restar nas órbitas nenhuma

luz, nenhuma água,

nem sequer o sinal de neles ter chovido

naquele inverno.

In: Rente ao Dizer (1992)

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4 Responses to “O olhar”


  1. Outubro 21, 2010 às 4:48 pm

    O Olhar é a moldura da Arte, e este grande Poeta sempre soube.

    Um beijo Rachel, saudade de tuas palavras em Vidráguas.

  2. 2 Raquel Agra
    Outubro 25, 2010 às 10:22 pm

    Querida Carmen,

    Obrigada pelas palavras, sempre carinhosas.
    Devolvo-lhe um poema, desta vez da minha autoria, que escrevinhei em tempos, e que guardo junto com outros rascunhos em modo poético.
    Um abraço,
    Raquel

    com um beijo
    experimento a queda
    no mais fundo
    de ti.

    agarras-me com força
    e devolves-me
    à boca onde tudo
    principia.

    como-te as palavras
    e deixo ficar
    o silêncio.
    e a minha boca também.


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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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