13
Mar
11

Coisas mudáveis

De tão luminosa, essa ferida

já nem dói – ó tão mudáveis

coisas vindas

na palavra, sucessiva

ondulação do mundo

latindo contra o coração,

vagas de sombra ou só de pedra,

 canção despedaçada

contra os vidros, fulva

vagabundagem de abelhas,

manhã de Junho

tão cedo prometida às areias.

In: Ofício de Paciência (1994)

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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