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Música de palavra(s)

O Festival Silêncio teve honras de abertura, ontem à noite, com o espectáculo “Música de Palavra(s)”, uma celebração da palavra poética cantada a duas mãos por José Mário BrancoCamané, acompanhados magistralmente pelo contrabaixo de Carlos Bica, pela guitarra de José Peixoto e pelo piano e acordeão de Filipe Raposo. Com todos eles e com todos nós estiveram, claro está, os poetas, celebrados com palavras, com sons, com silêncios e com intimidade. Na tela montada no palco iam morando, vez à vez, a Sophia, o Alexandre O’Neill, o Cesariny, e a poesia até então na voz dos cantores era tomada pelos poetas, numa proximidade com quem na plateia estava que chegava a ser arrepiante. Outras presenças ou fragmentos poéticos marcaram o espaço de partilha no Cinema São Jorge: Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Natália Correia, Florbela Espanca, Jorge de Sena, Camões, Ruy Belo, David Mourão Ferreira, Antero.

Um espectáculo musical único, de celebração da poesia, e que abre com chave de ouro o belíssimo festival que é este Festival Silêncio, onde de 15 a 25 de Junho, em diversos palcos da cidade de Lisboa, vai celebrar-se a palavra poética dita e o seu cruzamento com outras artes, desde a música ao cinema, passando pelas artes cénicas e vídeo.

Aqui ficam alguns fragmentos da noite:

 

Dão-nos um lírio e um canivete

e uma alma para ir à escola

(…)

Natália Correia

 

Tudo o que sonho ou passo,

O que me falha ou finda,

É como que um terraço

Sobre outra coisa ainda.

Essa coisa é que é linda.

(…)

Fernando Pessoa

 

 (…) ter de existir num tempo de canalhas

de um umbigo preso à podridão de impérios

e à lei de mendigar favor dos grandes

 (…)

Jorge de Sena

 

É uma escada em caracol

E que não tem corrimão.

Vai a caminho do Sol

Mas nunca passa do chão.

(…)                 

 Sobe-se numa corrida.

Corre-se p’rigos em vão.

Adivinhaste: é a vida

A escada sem corrimão

David Mourão-Ferreira

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

(…)

Camões

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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