Arquivo de Novembro, 2011

28
Nov
11

Não perguntes

De onde vem? De que fonte

ou boca

ou pedra aberta?

É para ti que canta

ou simplesmente

para ninguém?

Que juventude

te morde ainda os lábios?

Que rumor de abelhas

te sobe à garganta?

Não perguntes, escuta:

é para ti que canta.


In: Mar de Setembro (1961)

21
Nov
11

O Sal da Língua sugere…Carlos Torres Figueiredo

O Sal da Língua sugere para uma leitura próxima o volume “A Criança que Ri” , que valeu a Carlos Torres Figueiredo o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade.

O Prémio de Poesia Eugénio de Andrade foi lançado este ano pelo editor portuense José da Cruz Santos e pela editora Modo de Ler. Esta primeira edição do prémio teve, como júri, Luís Adriano Carlos, em representação da Modo de Ler, Inês Lourenço, Jorge Sousa Braga, José Manuel Mendes, Miguel Moura (em representação da família herdeira de Eugénio de Andrade) e Luís Miguel Queirós.

O júri escolheu “A Criança que Ri” por unanimidade, de um conjunto de cerca de meia centena de obras enviadas a concurso.

A cerimónia de entrega do prémio, no valor de 10 mil euros,  a Carlos Torres Figueiredo, decorrerá  no Porto a 19 de Janeiro de 2012, dia do nascimento do poeta.

Está previsto que o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade tenha periodicidade bienal.

15
Nov
11

Coroa de lume

Ouço-o partir, o sol da mão.

O prazer do ofício,

a paciência de areia

abrindo para os caminhos do verão,

também eles a chegar

ao fim. Foi assim que partilhei

o pão, o tão amado

sopro vindo do sul.

Não tardará o sono: já

começou na fala.

É tempo de atirar aos cães

a coroa de lume.


In: Ofício de Paciência (1994)

09
Nov
11

Essa mulher, a doce melancolia

Essa mulher, a doce melancolia
dos seus ombros, canta.
O rumor
da sua voz entra-me pelo sono,
é muito antigo.
Traz o cheiro acidulado
da minha infância chapinhada ao sol.
O corpo leve quase de vidro.

 

In: O Peso da Sombra (1982)

07
Nov
11

O Sal da Língua comemora… o encontro de Luís Cília e EA

O Sal da Língua comemora os 32 anos do álbum do cantor Luís Cília com o nome “O Peso da Sombra – A Poesia de Eugénio de Andrade“. Neste álbum, gravado em 1979 e dedicado totalmente à poesia de Eugénio, ganham um novo espaço poemas como “Canção breve”, “Adeus” ou “O Peso da Sombra”.

O Sal da  Língua saúda também o homem que acompanha o cantor, pela dedicação às causas e às artes.

Fontes: http://www.luiscilia.com/

06
Nov
11

A luz do pátio

Deixas a luz do pátio acesa,

a porta aberta – que esperas ainda?

Amas agora com amor dobrado

a vida, o suor misturado ao sal

da saliva, o rumor

das águas no sol das sementes,

a treva do cabelo incendiada

nas mãos outra vez adolescentes.


 

In: O Outro Nome da Terra (1988)

02
Nov
11

O Sal da Língua sugere…Ruy Belo

O Sal da Língua sugere as palavras de um homem – Ruy Belo – e uma oportunidade para um conhecimento mais profundo da sua obra: o Colóquio Ruy Belo, na Fundação Calouste Gulbenkian (auditório 2), nos dias 3 e 4 de Novembro, das 10:00 às 19:00. A assistência é livre mas sujeita a inscrição para: coloquioletras@gulbenkian.pt

Celebrando o cinquentenário da publicação de Aquele Grande Rio Eufrates (1961), este colóquio destina-se a homenagear a obra de um dos poetas centrais da segunda metade do século XX. Aberto a estudiosos da obra de Ruy Belo, mas também a especialistas da poesia portuguesa do século XX e da teoria e crítica literárias, este encontro pretende pôr em relevo os múltiplos problemas que a sua poesia coloca, os universos de referência e o seu lugar no panorama da poesia contemporânea“.

 

E tudo era possível”

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)

 

 

 




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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