Arquivo de Janeiro, 2012

26
Jan
12

Casa de Álvaro Siza na Boa Nova

A musical ordem do espaço,
a manifesta verdade da pedra,
a concreta beleza
do chão subindo os últimos degraus,
a luminosa contenção da cal,
o muro compacto
e certo
contra toda a ostentação,
a refreada
e contínua e serena linha
abraçando o ritmo do ar,
a branca arquitectura
nua
até aos ossos.
Por onde entrava o mar.

11-5-92


In: Homenagens e outros Epitáfios (1974)

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23
Jan
12

O Sal da Língua sugere…Letra Livre

O Sal da Língua sugere uma visita à livraria Letra Livre, uma pequena livraria apinhada  (no melhor sentido da palavra) de livros novos e usados, bem no centro da cidade de Lisboa, na calçada do Combro. Os donos são solícitos e estão disponíveis para ajudar na busca por “aquele livro” que nos move, o espaço é acolhedor e há sempre a certeza de algum livro nos encontrar, o que é bom sinal, sinal de que trazemos, quase de certeza, um livro para casa.

Especializada em literaturas de língua portuguesa e ciências humanas, é dado também destaque às pequenas editoras independentes: Antígona, Apenas, Aquário, Averno, Black Sun, Deriva, Dinossauro, Edições Mortas, &etc, Ela por Ela, Fenda, Frenesi, Íman, Ulmeiro, Vendaval, Via Optima.

Letra Livre Livraria / Calçada do Combro, 139 / 1200 Lisboa

16
Jan
12

Sou filho de camponeses…

Fonte: LP Poemas de EA lidos pelo autor, Orfeu

03
Jan
12

Alentejo

Agonia

dos lentos inquietos

amarelos,

solidão do vermelho

sufocado,

por fim o negro,

fundo espesso,

como no Alentejo

o branco obstinado.


 

In: Escrita da Terra (1974)

01
Jan
12

O verão é assim

O verão é assim: a masculina e mineral

e quase táctil vibração das cigarras.

Não sou apenas eu, também elas

se alimentam de claridade,

fogem do escuro.

Porque o escuro é onde se abrigam

a calúnia e a usura,

o escuro é onde a vaidade

e a demência do lucro acorrem

ao apelo do mais rasteiro.

O Céu não passa de um imenso

e vazio buraco negro,

mas tenho a esperança que o Inferno

conserve ainda activas as fogueiras

da inquisição, e nas suas chamas

possam ouvir-se um dia

esses cães, que tanto abusam do poder,

rechinar – como as cigarras no verão.


In: Sal da Língua (1995)




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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