20
Fev
12

Sobre as sílabas

O assédio do verão, as rolas

dos pinheiros, a risca de sal

das areias; às vezes

chovia – então um barco

de borco era o abrigo,

era o amigo; a chuva abria

o aroma dos fenos, não tardava

o sol em cada sílaba.

 

In: Rente ao Dizer (1992)

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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