Arquivo de 7 de Abril, 2012

07
Abr
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O Sal da Língua sugere…sempre Poesia e por isso Florbela

O Sal da Língua sugere uma ida ao cinema para ver o filme Florbela, que já está nas salas um pouco por todo o país e que retrata uma das fases da vida da poetisa Florbela Espanca, um dos nomes incontornáveis da poesia portuguesa do século XX. A actriz Dalila Carmo entrega-se de corpo e alma para nos dar um retrato conseguido de uma época, de um enquadramento político e social, mas sobretudo de uma mulher – Florbela – desajustada perante as várias realidades de que fazia parte – o casamento, o amor às pessoas que a rodeavam, a família, o Alentejo, Portugal. O filme tem algumas fraquezas mas é uma homenagem à vida de Florbela e através da sua vida, mostrada no ecrã, somos conduzidos inevitavelmente ao mais fundo da sua poesia.

 

“Eu sou a que no mundo anda perdida

Eu sou a que na vida não tem norte

Sou a irmã do Sonho, e desta sorte

Sou a crucificada… a dolorida…

 

Sombra de névoa ténue e esvaecida,

E que o destino, amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!

 

Sou aquela que passa e ninguém vê

Sou a que chamam triste sem o ser…

Sou a que chora sem saber porquê…

 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou…

Alguém que veio ao mundo pra me ver

E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

 

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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