Arquivo de Junho, 2012

27
Jun
12

O Sal da Língua sugere… Festival Silêncio

O Sal da Língua sugere, para os próximos dias, uma ida ou várias ao Festival Silêncio,que decorrerá na cidade de Lisboa de 26 de Junho a 1 de Julho. O Festival Silêncio apresenta-se como tendo o objectivo de “devolver o poder à palavra cruzando-a com as diferentes artes e sublinhando o papel vital desta na criação artística. A palavra inscreve-se na vida da cidade pela mão de escritores, artistas plásticos, encenadores, músicos, actores, cineastas que exploram essa íntima relação com a linguagem. Seja qual for o seu modus operandi, é através da palavra que grandes nomes da cena literária e artística irão partilhar com o público a sua própria visão do mundo.” Este Festival é, assim, uma celebração  da poesia e da escrita, dando espaço ao silêncio, à reflexão e à palavra. O Festival será palco de espectáculos, cinema, leituras e conversas.

No campo da poesia destacam-se os seguintes eventos: No dia 27 de Junho a conversa “Onde o silêncio mora”, em que dois poetas da novíssima geração, Margarida Vale de Gato e Miguel-Manso, falarão sobre a sua poesia numa conversa moderada pela jornalista, e uma das dinamizadoras da tertúlia Avenida dos Poemas, Raquel Marinho. No dia 30 de Junho os poetas João Luís Barreto Guimarães e Maria do Rosário Pedreira discorrerão sobre a sua arte poética numa conversa com moderação do poeta e crítico literário Eduardo Pitta. Também no dia 30 a jornalista Anabela Mota Ribeiro, o poeta e ensaísta Nuno Júdice e o realizador Miguel Gonçalves Mendes conversarão sobre a dimensão poética na vida e obra de José Saramago. Para além das conversas sobre poesia destacam-se ainda os projectos musicais poéticos, como “Os Poetas”, de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, que tem um único álbum editado em 1997 (Os Poetas – Entre Nós e as Palavras), o “Neurotycon”, dos Pop Dell”Arte, onde revisitam várias referências (de Homero a William Gibson) e o concerto especial de Mão Morta, de forte componente spoken word, revisitando a sua obra mas também a poesia de Al Berto.

 

09
Jun
12

O Sal da Língua comemora… a Poesia com Drummond

O Sal da Língua comemora o lançamento do livro do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) “Os 25 Poemas da Triste Alegria” , um livro inédito da sua juventude. De acordo com o artigo da revista cultural Bravo , que divulga a publicação, “um desconhecido (e único) volume escrito pelo moço Drummond chegou faz pouco tempo até António Carlos Secchin, ensaísta e crítico literário dedicado a abastecer de raridades sua biblioteca em Copacabana, no Rio de Janeiro – um oásis que abriga 12 mil obras de literatura brasileira. Encadernadas numa firma de bairro, sob capa elegantemente azul, as páginas de aprendiz reuniam versos datilografados por uma jovem Dolores Dutra de Morais, já noiva do poeta de Itabira (MG)  [Carlos Drummond]. Esses 25 Poemas da Triste Alegria, assim intitulados, saem em meados deste mês de Junho, pela editora Cosac Naify [no Brasil]“.

Deixo dois dos seis poemas que a revista antecipa, em exclusividade, antes do lançamento do livro, que se intitulam “Gravado na parede” e “Sombra do homem que sorriu”.

Gravado na Parede

Saber que tu não virás nunca encher de rosas o meu quarto,

encher de belleza a minha vida…

e continuar á espera de tua graça dolente e e sobrenatural.

continuar á espera, de mãos vazias…

Saber que não partirás o meu pão, que não beberemos juntos,

ao jantar, um pouco d’aquelle amavel e grato vinho velho,

que não accenderás a minha lampada,

que o piano não possuirá os teus dedos…

Saber tudo isso, o impossível e o irremediavel

de tudo isso… e continuar sonhando inutilmente.

Ah! Por que não virás encher de rosas o meu quarto?

Ao menos,

vem encher-me de lagrimas os olhos.

A Sombra do Homem que Sorriu

Ah! que os tapetes não guardem

a sombra inutil dos meus passos…

Eu quero ser, apenas,

um homem que sorriu e que passou,

erguendo a sua taça, com desdém.

Os 25 Poemas da Triste Alegria, de Carlos Drummond de Andrade. Editora Cosac Naify, 255 páginas.

06
Jun
12

O corpo vai-se esquecendo de ter razão

O corpo vai-se esquecendo de ter razão:

Deixa-te estar assim contra a vidraça,

pelos ombros caída

até ao chão a fatigada luz da sombra,

na mão o ínfimo azul de um lenço

de água. Ou menos ainda.

 

In: O Peso da Sombra (1982)




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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