06
Jun
12

O corpo vai-se esquecendo de ter razão

O corpo vai-se esquecendo de ter razão:

Deixa-te estar assim contra a vidraça,

pelos ombros caída

até ao chão a fatigada luz da sombra,

na mão o ínfimo azul de um lenço

de água. Ou menos ainda.

 

In: O Peso da Sombra (1982)

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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