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Ago
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7º aniversário da morte de Eugénio

No passado dia 13 de junho assinalou-se mais um ano, o sétimo, desde a morte de Eugénio. O Sal da Língua não quis deixar de assinalar a data, ainda que com algum tempo de atraso, devido a mudanças pessoais que não têm permitido uma presença regular neste espaço. Todos os dias são de celebração da palavra, da poesia e da prosa de Eugénio, por isso deixo a homenagem prestada, a Eugénio, por Fernando Pinto do Amaral.

Para um retrato de Eugénio, por Fernando Pinto do Amaral

25.06.2005

São coisas muito frágeis – uma sede

a transformar-se em água ou num sorriso

aberto à flor da boca,

a música de um corpo enquanto é verão

e sobretudo a chama de um olhar

que se entrega à primeira alegria,

ao primeiro desejo.

Ele sabe, sempre soube que é difícil

ser fiel ao esplendor de tudo isso,

à melodia ou ao rumor

do sangue. É um segredo

roubado à terra ou à infância

como se a voz dançasse.

Confidente das aves quando chegam

do sul

ou cúmplice da luz que se demora

à passagem do vento,

mal o vejo daqui

e a sombra que se move entre os seus olhos

é a lição do dia quando morre,

esse rasto de lume que o sol deixa

a arder no mar.


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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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