03
Set
13

Respira devagar, respira

Respira devagar, respira

uma vez mais

o sopro reticente do silêncio;

não oiças a mutilada voz do chão:

não é o primeiro orvalho

que chama por ti;

não abras as portas todas à lenta

e velha e turva baba

da tristeza;

respira esse rumor: nem mar nem ave,

apenas um ardor que também morre,

devagar.

In: Contra a Obscuridade (1988)

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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