Arquivo de Abril, 2014

10
Abr
14

Havia vento

Era um mês incerto, havia vento,

eu não teria nascido ainda,

ou já teria morrido.

A fronteira entre luz e sombra

era muito difusa. Então

estranhamente o sol pousou

naquele corpo. Corpo que nunca

vira despido, que cheirava

a maçãs maduras.,

com brilhos que desciam

às negras sementes da vida.

Estranhamente o sol demorou-se

nos seus ombros. Um último

brilho, ou suspiro, desprendeu-se.

O ar tremia – apesar disso eu era feliz,

tinha dez ou mil anos, já não sei.

 

In: Os Sulcos da Sede (2001)

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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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