18
Maio
14

O Sal da Língua comemora… Vasco Graça Moura

O Sal da Língua comemora a poesia de Vasco Graça Moura, que partiu no mês passado, aos 72 anos de idade, mas que nos deixou de herança um património riquíssimo entre o qual figura a poesia.

Nada melhor, para homenagear o poeta no Sal da Língua, que:

– uma fotografia divulgada pelo Jornal Público (edição Porto de dia 28 de abril de 2014), em que figura ao lado de outros queridos poetas portugueses: Pedro Tamen,Alberto Pimenta, Alexandre O’Neill, Miguel Torga e o nosso Eugénio de Andrade.

vasco graça moura

 

– um dos seus muitos poemas, lamento por diotima (In Poesia, 1963-1995, Círculo de Leitores, 2001, p. 402).

o que vamos fazer amanhã
neste caso de amor desesperado?
ouvir música romântica
ou trepar pelas paredes acima?
amarfarnhar-nos numa cadeira
ou ficar fixamente diante
de um copo de vinho ou de uma ravina?
o que vamos fazer amanhã
que não seja um ajuste de contas?
o que vamos fazer amanhã
do que mais se sonhou ou morreu?
numa esquina talvez te atropelem,
num relvado talvez me fuzilem,
o teu corpo talvez seja meu,
mas o que vamos fazer amanhã
entre as árvores e a solidão?
– e umas palavras do escritor e amigo Eduardo Pitta publicadas no seu blogue Da Literatura aquando da sua morte:
“Mesmo esperada, a morte de um amigo é sempre intolerável. Vasco Graça Moura morreu hoje (27 de abril) de manhã. Tinha 72 anos. Poeta, ensaísta, ficcionista e tradutor, deixa uma obra que marca o século XX português. Actual presidente da Fundação Centro Cultural de Belém, Graça Moura ocupou nos últimos quarenta anos diversos cargos institucionais. Duas vezes secretário de Estado, primeiro da Segurança Social, depois dos Retornados (nos 4.º e 5.º governos provisórios, respectivamente); director de programas da RTP; presidente da Imprensa Nacional / Casa da Moeda (a ele se devendo a edição portuguesa, em 41 volumes, da enciclopédia Einaudi); presidente da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Fernando Pessoa; comissário-geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha; presidente da Comissão Nacional dos Descobrimentos (1988-95); director da revista Oceanos; director da Fundação Casa de Mateus; membro do conselho-geral da Comissão Nacional da UNESCO; director do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian (1996-99) e também consultor da FLAD. Deputado ao Parlamento Europeu durante dez anos (1999-2009), eleito nas listas do PSD. Além de diversos prémios literários, em Portugal e no estrangeiro, recebeu em 1995 o Prémio Pessoa. Há três meses foi-lhe outorgada a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada. Homem de convicções fortes, à Direita, nunca se preocupou com a ideologia dos seus pares.
Várias vezes compilada, a obra poética [1962-2010] encontra-se disponível em dois volumes que a Quetzal publicou em Outubro de 2012 com o título de Poesia Reunida. Escrevi muito sobre ela, não me vou repetir. Graça Moura publicou ainda seis romances, dezenas de volumes de ensaio e dois de crónicas. Entre outros, traduziu Dante — A Divina Comédia entrou no património da língua portuguesa —, Petrarca, Shakespeare (os sonetos), Ronsard, Villon, Corneille, Molière, Racine, Rilke, Lorca, Enzensberger, Gottfried Benn, Seamus Heaney e Tomas Tranströmer. Foi o mais consistente opositor do Acordo Ortográfico de 1990, tema a que dedicou o ensaio Acordo Ortográfico: a Perspectiva do Desastre (2008), que publiquei neste blogue antes da sua impressão em volume. À família e, em particular, a Maria Bochicchio, apresento condolências. Até sempre, Vasco.”

 

Anúncios

0 Responses to “O Sal da Língua comemora… Vasco Graça Moura”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
Maio 2014
S T Q Q S S D
« Abr   Jun »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  
“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

Blog Stats

  • 140,306 hits

%d bloggers like this: