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Jun
14

Disssonâncias

Pedra a pedra

a casa vai regressar.

Já nos ombros sinto o ardor

da sua navegação.

 

Vai regressar

o silêncio com as harpas.

As harpas com as abelhas.

 

No verão morre-se

tão devagar à sombra dos ulmeiros!

 

Direi então:

Um amigo

é o lugar da terra

onde as maçãs brancas são mais doces.

 

Ou talvez diga:

O outono amadurece nos espelhos.

Já nos meus ombros sinto

A sua respiração.

Não há regresso: tudo é labirinto.

 

In: Obscuro Domínio (1972)

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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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