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11
Out
15

O Sal da Língua sugere… Blancura

No próximo dia 13 de outubro, às 18:30, no Grêmio Literário em Lisboa, será apresentado o livro “Blancura”, de Eugénio de Andrade. Trata-se da recente edição espanhola de uma antologia de 34 poemas do poeta, cuja tradução é da responsabilidade de Miguel Losada.
Natural de Vigo, Miguel Losada frequentou a Universidade Nacional Autónoma do México e a Sorbonne, em Paris, tendo-se doutorado em Filologia Hispânica pela Universidade Complutense de Madrid.

Ficha técnica
Título: Blancura, de Eugénio de Andrade
Autor/a/es/as: Eugenio de Andrade
Editorial: Polibea
Título original: Blancura
Traductor/a: Miguel Losada

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02
Jul
15

O Sal da Língua sugere… Festival Silêncio 2015

O Sal da Língua sugere, para estes dias que se avizinham (2 a 5 de julho), uma visita, várias visitas ou, se possível for, a permanência no Festival Silêncio 2015. O Festival Silêncio, com palco no Cais do Sodré (eixo da Rua de São Paulo), é a celebração da palavra enquanto unidade criativa, veículo do pensamento e da criação. Durante quatro dias, o Festival Silêncio oferece à cidade de Lisboa uma programação pensada em conjunto com uma diversidade de artistas, produtores, entidades de criação, estruturas de divulgação e instituições de carácter social e cultural locais, nacionais e internacionais. O Festival Silêncio é a festa da palavra dita, escrita, pensada, encenada, cantada, musicada, filmada e ilustrada. É um convite à cidade de Lisboa, é de todos e para todos.
Mais informações aqui: http://festivalsilencio.com/

FestivalSilencio_site

13
Jun
15

13 de junho de 2015. 10 anos sem Eugénio

Assinalam-se hoje, neste dia de Santo António, 10 anos do desaparecimento físico de Eugénio de Andrade. Outro escritor e homem da política e das artes partiu no mesmo dia do mesmo ano, o Manuel Tiago/Álvaro Cunhal. Também outro poeta português viria a partir nesse mesmo dia 13 – Al Berto – ao passo que outro, décadas antes, havia de nascer eterno – Fernando Pessoa.

No dia em que se evoca o 10º aniversário da morte de Eugénio de Andrade, a Câmara Municipal do Porto promove na Biblioteca Pública Municipal um conjunto de iniciativas que destacam a relação criativa que Eugénio de Andrade manteve com Fernando Lopes-Graça e que deu origem a 3 ciclos de melodias. O programa começa às 16:30 com a atuação do Coro Juvenil do Conservatório de Música do Porto, às 17:30 o Vereador da Cultura inaugura a exposição Eugénio de Andrade e Fernando Lopes-Graça: o diálogo entre a música e a poesia, que conta com a colaboração do Museu da Música Portuguesa e às 18:00 a sessão do programa Um objeto e seus discursos por semana, é dedicada à obra As mãos e os frutos com a presença de Arnaldo Saraiva (Professor e ensaísta) e Ana Maria Pinto (soprano). Mais informações em: http://bmp.cm-porto.pt/EXPO_eugenio_andrade_2015

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21
Maio
15

Escrita da terra

1.

Sê tu a palavra,

branca rosa brava.

2.

Só o desejo é matinal.

Poupar o coração

é permitir à morte

coroar-se de alegria.

4.

Morre

de ter ousado

na água amar o fogo.

Beber-te a sede e partir

– eu, que sou de tão longe.

Da chama à espada

o caminho é solitário.

7.

Que me quereis,

se me não dais

o que é tão meu?

In: Ostinato Rigore (1964)

15
Maio
15

O lugar da casa

Uma casa que fosse um areal

deserto; que nem casa fosse;

só um lugar

onde o lume foi aceso, e à sua roda

se sentou a alegria; e aqueceu

as mãos; e partiu porque tinha

um destino; coisa simples

e pouca, mas destino:

crescer como árvore, resistir

ao vento, ao rigor da invernia,

e certa manhã sentir os passos

de abril

ou, quem sabe?, a floração

dos ramos, que pareciam

secos, e de novo estremecem

com o repentino canto da cotovia.

In: Sal da Língua (1995)

11
Maio
15

A outra morada

É de Shumann, a música.

Dói, acalma, é transparência

última da rosa, a de Dante

no Paraíso;

não há outra morada,

outro cristal, outra ave;

há somente esse rio, esse gume

que fere, apazigua,

o corpo, a alma – quem sabe?

In: Rente ao Dizer (1992)

26
Abr
15

O Sal da Língua comemora… Abril

O Sal da Língua comemora a liberdade e o 25 de Abril, sempre. Pela liberdade de mudar, de decidir, de escrever, de viver! Neste dia, a poesia de alguns poetas que tão bem traduziram o espírito da mudança que se impunha rumo às liberdades!

A Rapariga do País de Abril

Habito o sol dentro de ti
descubro a terra aprendo o mar
rio acima rio abaixo vou remando
por esse Tejo aberto no teu corpo.

E sou metade camponês metade marinheiro
apascento meus sonhos iço as velas
sobre o teu corpo que de certo modo
é um país marítimo com árvores no meio.

Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
Guitarra e fruta. Melodia.
A mesma melodia destas noites
enlouquecidas pela brisa no País de Abril.

E eu procurava-te nas pontes da tristeza
cantava adivinhando-te cantava
quando o País de Abril se vestia de ti
e eu perguntava atónito quem eras.

Por ti cheguei ao longe aqui tão perto
e vi um chão puro: algarves de ternura.
Qaundo vieste tudo ficou certo
e achei achando-te o País de Abril.

Manuel Alegre
30 Anos de Poesia
Publicações Dom Quixote

Com que então libertos, hein?

Com que então libertos, hein? Falemos de política,
discutamos de política, escrevamos de política,
vivamos quotidianamente o regressar da política à posse de cada um,
essa coisa de cada um que era tratada como propriedade do paizinho.
Tenhamos sempre presente que, em política, os paizinhos
tendem sempre a durar quase cinquenta anos pelo menos.
E aprendamos que, em política, a arte maior é a de exigir a lua
não para tê-la ou ficar numa fúria por não tê-la,
mas como ponto de partida para ganhar-se, do compromisso,
um boa lâmpada de sala, que ilumine a todos.
Com o país dividido quase meio século entre os donos da verdade e do poder,
para um lado, os réprobos para o outro só porque não aceitavam que
não houvesse liberdade, e o povo todo no meio abandonado à sua solidão
silenciosa, sem poder falar nem poder ouvir mais que discursos de salamaleque,
há que aprender, re-aprender a falar política e a ouvir política.
Não apenas pelo prazer tão grande de poder falar livremente
e poder ouvir em liberdade o que os outros nos dizem,
mas para o trabalho mais duro e mais difícil de — parece incrível —
refazer Portugal sem que se dissipe ou se perca uma parcela só
da energia represa há tanto tempo. Porque é belo e é magnífico
o entusiasmo e é sinal esplêndido de estar viva uma nação inteira.
Mas a vida não é só correria e gritos de entusiasmo, é também
o desafio terrível do ter-se de repente nas mãos
os destinos de uma pátria e de um povo, suspensos sobre o abismo
em que se afundam os povos e as nações que deixaram fugir
a hora miraculosa que uma revolução lhes marcou. Há que caminhar
com cuidado, como quem leva ao colo uma criança:
uma pátria que renasce é como uma criança dormindo,
para quem preparamos tudo, sonhamos tudo, fazemos tudo,
até que ela possa em segurança ensaiar os primeiros passos.
De todo o coração, gritemos o nosso júbilo, aclamemos gratos
os que o fizeram possível. Mas, com toda a inteligência
que se deve exigir do amadurecimento doloroso desta liberdade
tão longamente esperada e desejada, trabalhemos cautelosamente,
politicamente, para conduzir a porto de salvamento esta pátria
por entre a floresta de armas e de interesses medonhos
que, de todos os cantos do mundo, nos espreitam e a ela.

Jorge de Sena

SB, 2/5/1974

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

‘O Nome das Coisas’


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"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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