Posts Tagged ‘cavalos

16
Jul
09

Assim seja

A terra é boa, e o corpo
apesar de bastardo
traz consigo pátios
e cavalos. A multiplicação
da luz torna mais limpo o ar,
até mesmo a lebre
salta dos fenos.
Contenta-te com ser, hoje
amanhã
outro dia, esta luz breve.
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10
Jun
09

Árvores

Sem fadiga, as árvores regressam
ao poema. Primeiro as laranjeiras,
a seguir entram as tílias.
Sempre estiveram perto, incapazes
de se afastarem dos pequenos
olhos imensos.
À sombra dos cavalos
podia vê-las chegar carregadas
do seu aroma, dos seus frutos frios.
A tarde chegava ao fim
mas tive tempo ainda
de as sentir, com um sorriso, aproximar.
12
Mar
09

Não quero, não

Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.

 

Quero um cavalo só meu,

seja baio ou alazão,

sentir o vento na cara,

sentir a rédea na mão.

 

Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.

 

Não quero muito do mundo:

quero saber-lhe a razão,

sentir-me dono de mim,

ao resto dizer que não.

 

Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.

15
Dez
08

Que fizeste das palavras?

Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais
de um azul tão apaziguado?

E das consoantes, que lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos cavalos?

Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram?

22
Fev
08

Cavalos

Uma canção de cavalos

me pede o Miguel que escreva:

cavalos de sol sedentos,

mansos cavalos de seda.

Cavalos bebendo a sombra

verde e rosa das palmeiras

ou bailando nas areias

com as luzes derradeiras.

Cavalos de romanceiro

disparados como setas

em terras da minha terra

ou só na minha cabeça.

Cavalos de sol sedentos,

mansos cavalos de seda:

uma canção de cavalos

me pede o Miguel que escreva.




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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