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21
Mar
09

Dia Mundial da Poesia

Para assinalar o Dia Mundial da Poesia,  Eugénio na poesia de outros:

 

É a labareda da seda sob os dedos transmitida

ao corpo todo, seda extraída ao segredo –

tocar e ser tocado, sentir em si

a ligeireza do fogo, a profundeza,

e estremecer, ficar em chaga:

e com dedos e sedas manter às labaredas, entre

terror e louvor,

a comburente, combustível composição de tudo: ser

queimado vivo,

ser luminoso.

 

Herberto Hélder

 

1

Nada está prescrito, nada se cumpre como um destino. A anterioridade

situa-se diante de um olhar que a atravessa e a transforma na possibilidade

do acto de ser um puro começo. Cada palavra consuma o

seu início no extremo de si própria e deixa o campo intacto para a

liberdade do sopro anónimo e dos nomes novos no seu espaço aberto.

 

2

A relação do ser e do horizonte é circular. É talvez o aberto que cria o

horizonte, é talvez a respiração que abre o mundo. Mas o alento não

poderia romper sem a linha pura do horizonte e a lâmpada da respiração

não se acenderia se o mundo não fosse já o extenso mundo do aberto.

Por isso a escuta é a espera vazia aberta ao tempo e à possibilidade

de uma palavra livre mais fiel à simplicidade nova de um começo.

 

António Ramos Rosa

 

 

Os dois poemas escolhidos encontram-se publicados no livro “Uma prenda para Eugénio com algumas túlipas”, das Edições Asa. “Uma prenda para Eugénio com algumas túlipas” conta com prefácio de Miguel Veiga e 67 pinturas e poemas dedicados a Eugénio de Andrade nos seus 80 anos, da autoria de pintores como Graça Morais, José Rodrigues, Júlio Resende e de poetas como Herberto Hélder, António Ramos Rosa, José Viale Moutinho, Luísa Dacosta, Manuel Alegre, Manuel António Pina, Maria Alzira Seixo, Mário Cláudio e Vasco Graça Moura.

Ilustração de Graça Martins

Eugénio de Andrade - Pintura de Graça Martins

 

 




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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