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14
Abr
10

Tu és a esperança, a madrugada

Tu és a esperança, a madrugada.

Nasceste nas tardes de setembro

quando a luz é perfeita e mais doirada,

e há uma fonte crescendo no silêncio

da boca mais sombria e mais fechada.

Para ti criei palavras sem sentido,

inventei brumas, lagos densos,

e deixei no ar braços suspensos

ao encontro da luz que anda contigo.

Tu és a esperança onde deponho

meus versos que não podem ser mais nada.

Esperança minha, onde meus olhos bebem

fundo, como quem bebe a madrugada.

19
Jul
09

Improviso na madrugada

Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.
 
(Vontade de ser barco ou de cantar.)
05
Jul
09

Retrato

No teu rosto começa a madrugada.
Luz abrindo,
de rosa em rosa,
transparente e molhada.
 
Melodia
distante mas segura;
irrompendo da terra,
quente, redonda, madura.
 
Mar imenso,
praia deserta, horizontal e calma.
Sabor agreste.
Rosto da minha alma.

 

Notícias da Fundação:
Na sede da Fundação Eugénio de Andrade vai ser apresentado, no próximo sábado, dia 11 de Julho, pelas 18h30, o primeiro livro, Delírio Húngaro, do jovem poeta Nuno Brito. Publicado pela editora que tem o nome de Edita-me, o livro será apresentado por Arnaldo Saraiva e por Manaíra Aires. A entrada é livre.



"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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