Posts Tagged ‘Setembro

09
Maio
10

Setembro: que lugar

Setembro: que lugar

para dormir — ou nessas folhas

ardendo pelo chão da tarde.

Como partir, deixar deserta

a casa errante

e diminuta do olhar?

A que nos resta.

Anúncios
14
Abr
10

Tu és a esperança, a madrugada

Tu és a esperança, a madrugada.

Nasceste nas tardes de setembro

quando a luz é perfeita e mais doirada,

e há uma fonte crescendo no silêncio

da boca mais sombria e mais fechada.

Para ti criei palavras sem sentido,

inventei brumas, lagos densos,

e deixei no ar braços suspensos

ao encontro da luz que anda contigo.

Tu és a esperança onde deponho

meus versos que não podem ser mais nada.

Esperança minha, onde meus olhos bebem

fundo, como quem bebe a madrugada.

29
Mar
10

Ó manhã

 

Ó manhã,

manhã,

manhã de setembro,

invade-me os olhos,

inunda-me a boca,

entra pelos poros

do corpo, da alma,

até ser em ti,

sem peso e memória,

um acorde só

do vento e da água,

uma vibração

sem sombra nem mágoa.

29
Set
09

Era setembro

Era setembro
ou outro mês qualquer
propício a pequenas crueldades:
a sombra aperta os seus anéis.
Que queres tu ainda?
O sopro das dunas sobre a boca?
A luz quase despida?
Fazer do corpo todo
um lugar desviado do inverno?
13
Set
09

Também, também o pulso

Também, também o pulso,
também o pulso arde, e morre
a luz na pele;
 
arde com rumor de amêndoa
dentro do caroço,
de criança no escuro;
 
será por setembro, quando a água
da neve ainda não conhece
a boca dos poços;
 
quando a frágil alegria do olhar
quebra na sombra
o seu azul, o seu aroma.
07
Set
09

Eu vi essas muralhas ruírem

Eu vi essas muralhas ruírem
sobre o rio — eram calmas as águas
de setembro, e sucessivas.
 
Despedia-me das folhas,
também eu preparava esse abandono
da cidade e das suas almas.
 
Eu vi essas muralhas.
Eram espessas broncas frias.
Ruíram, quando as olhava.
28
Set
08

Sei de uma pedra onde me sentar

Sei de uma pedra onde me sentar

à sombra de um setembro quase no fim.

 

Havia ainda as mãos, mas tão cegas

que nenhuma encontrará o sol.

 

 É o que têm: desejo de toar

o barro ainda quente do silêncio.




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
Outubro 2017
S T Q Q S S D
« Jan    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  
“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

Blog Stats

  • 140,312 hits