Posts Tagged ‘Sophia de Mello Breiner

30
Jan
11

Poema para Sophia Andresen

Da exposição de Sophia trago a inspiração da mulher, da mãe, da cidadã, da pessoa e, claro está, da poeta e da amante da beleza em todas as coisas e da justiça acima de tudo. E trago um poema também, para o Sal da Língua, do querido Eugénio de Andrade.

Poema para a Sophia Andresen de Eugénio de Andrade

(Espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen)

Não sei porque floriram no meu rosto

os olhos e os rostos que há em ti.

Floriram por acaso, ao sol de agosto

sem mesmo haver agosto ou sol em mim.

Não sei porque floriram: se o orvalho as queima

(Ponho as mãos nos olhos para os proteger!)

Tão estranho! florirem no meu rosto

olhos e rostos que não posso ver.

Eugénio de Andrade, Fevereiro de 1946




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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