Posts Tagged ‘Sophia de Mello Breyner

06
Jul
14

O Sal da Língua comemora (hoje e sempre) Sophia

O Sal da Língua comemora a poesia de Sophia de Mello Breyner, no mês em que se completam 10 anos desde o seu desaparecimento (no dia 2 de julho de 2004). Numa publicação passada, datada de 30 de janeiro de 2011, tinha sido publicado neste blogue um poema feito pelo Eugénio e dedicado à poetisa Sophia, aproveito para relembrar esse poema e para deixar o manuscrito em que este foi escrito, pelo próprio Eugénio. Deixo também uma fotografia de Eugénio de Andrade com a poetisa e a escritora Agustina Bessa Luís, datada dos anos 50, e uma foto de Sophia com Eugénio e vários outros escritores e poetas portugueses.

Não sei porque floriram no meu rosto

os olhos e os rostos que há em ti.

Floriram por acaso, ao sol de agosto

sem mesmo haver agosto ou sol em mim.

Não sei porque floriram: se o orvalho as queima

(Ponho as mãos nos olhos para os proteger!)

Tão estranho! florirem no meu rosto

olhos e rostos que não posso ver.

Eugénio de Andrade, Fevereiro de 1946

 

Carta de Eugénio de Andrade com «Poema / para a Sofia Andresen», assinado e datado «Fev. 46»

Carta de Eugénio de Andrade com «Poema / para a Sofia Andresen», assinado e datado «Fev. 46» (Fonte: http://purl.pt/19841/1/galeria/textos/f11/foto1.html)

Sophia com Agustina Bessa-Luís e Eugénio de Andrade. Anos 50

Sophia com Agustina Bessa-Luís e Eugénio de Andrade. Anos 50 (Fonte: http://purl.pt/19841/1/1950/1950-2.html)

Sophia com amigos, na Casa de Mateus, anos 80. De trás para a frente e da esquerda para a direita: Andrée Rocha, Vasco Graça Moura, Miguel Torga, Graça Seabra Gomes, Alberto Pimenta; Eugénio de Andrade, Sophia, Pedro Tamen, Helena Vaz da Silva; Alexandre O’Neill, Clara Rocha, Fernando Guimarães; Fernando Albuquerque, M. de Lourdes Guimarães, (?), Francisco Sousa Tavares, (?)

Sophia com amigos, na Casa de Mateus, anos 80. De trás para a frente e da esquerda para a direita: Andrée Rocha, Vasco Graça Moura, Miguel Torga, Graça Seabra Gomes, Alberto Pimenta; Eugénio de Andrade, Sophia, Pedro Tamen, Helena Vaz da Silva; Alexandre O’Neill, Clara Rocha, Fernando Guimarães; Fernando Albuquerque, M. de Lourdes Guimarães, (?), Francisco Sousa Tavares, (?) (Fonte: http://purl.pt/19841/1/1980/galeria/f12/foto1.html)

 

 

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25
Abr
11

O Sal da Língua comemora… o 25 de Abril

O Sal da Língua reforça hoje a lembrança de todos os dias – a importância da Liberdade – pela mão de Sophia de Mello Breyner:

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava

o dia inicial inteiro e limpo

onde emergimos da noite e do silêncio

e livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner

27
Jan
11

O Sal da Língua sugere…Sophia

O Sal da Língua sugere uma visita à exposição “Sophia de Mello Breyner Andresen – Uma Vida de Poeta”, inaugurada ontem na Biblioteca Nacional e que aí permanecerá até 30 de Abril. Depois da doação do espólio literário e artístico de Sophia à Biblioteca pelos seus filhos, cujo termo de doação foi ontem assinado,  ficam disponíveis fragmentos da vida e da obra: inéditos, primeiras edições, correspondência, fotografias, cartas, diários de viagens. Sophia mais perto, Sophia mais dentro, Sophia para todos.

Sophia por Fernando Lemos

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia

22
Jun
09

Eugénio & Sophia

Hoje trago Sophia para a companhia de Eugénio. 
Cinco anos depois da sua morte, o Jornal Público, na edição do passado domingo, dá-nos conta de alguns excertos de diários, poemas e cartas do espólio de Sophia de Mello Breyner,
presente no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, entre histórias contadas na primeira pessoa por dois dos seus filhos.

Do nosso querido Eugénio de Andrade, para Sophia, há cartas, postais, poemas e textos, como aquele que diz: "De repente ouvia-se uma voz: Onde está a Sophia? Não havia Sophia, mas o ar era fresco como se atravessássemos uma alameda de tílias".

Do mundo de Sophia resolvi trazer um poema inédito apresentado nesse artigo do Público, um poema escrito a tinta permanente azul, num pequenino papel, com data de 31 de Agosto de 1943. O seu nome - Inocência e possibilidade:

As imagens eram próximas
Como coladas sobre os olhos
O que nos dava um rosto justo e liso
Os gestos circulavam sem choque nem ruído
As estrelas eram maduras como frutos
E os homens eram bons sem dar por isso.



"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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