Arquivo de Março, 2014

10
Mar
14

De ramo em ramo

O branco do linho ou dos muros

do sul,

o carmim matutino,

 

o claro azul mediterrâneo, o limão

húmido ainda,

o laranja, o verde das oliveiras

 

prateado, o amarelo exausto

da glória, o violeta adormecido

da flor que lhe dá um nome,

 

o ocre do trigo ceifado,

o negro quase

materno da terra lavrada,

 

é nos olhos que são ave

de ramo em ramo concertada.

 

In: Os Lugares do Lume (1998)




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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