Arquivo de Junho, 2014

15
Jun
14

Disssonâncias

Pedra a pedra

a casa vai regressar.

Já nos ombros sinto o ardor

da sua navegação.

 

Vai regressar

o silêncio com as harpas.

As harpas com as abelhas.

 

No verão morre-se

tão devagar à sombra dos ulmeiros!

 

Direi então:

Um amigo

é o lugar da terra

onde as maçãs brancas são mais doces.

 

Ou talvez diga:

O outono amadurece nos espelhos.

Já nos meus ombros sinto

A sua respiração.

Não há regresso: tudo é labirinto.

 

In: Obscuro Domínio (1972)

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14
Jun
14

13 de junho. 9 anos do desaparecimento de Eugénio

Ontem assinalou-se mais um ano do desaparecimento de Eugénio de Andrade, que voou com as aves há precisamente 9 anos, a 13 de junho de 2005, no mesmo dia do escritor Álvaro Cunhal. Neste dia e ano também se assinalaram os 17 anos do desaparecimento do poeta Al Berto e os 126 anos do nascimento do imenso Fernando Pessoa.

Na Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, no Fundão,  lançaram-se ontem dois livros sobre o poeta: “Eugénio de Andrade: Uma Vida Por Um Só Verso”, de António Oliveira, um investigador, doutorado em Literatura, que fez diversos estudos sobre a poesia em geral e que fez várias comunicações sobre Eugénio de Andrade, tendo inclusive publicado dois ensaios sobre o poeta, evoca a vida e poesia de Eugénio e “O Génio de Andrade”, de Arnaldo Saraiva, que reúne um conjunto de ensaios inéditos de Arnaldo Saraiva sobre o poeta nascido na Póvoa de Atalaia.

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A Biblioteca Municipal do Porto, cidade onde o poeta viveu, dinamiza na data de hoje, 14 de junho, o percurso cultural “O Porto de Eugénio”, do Jardim de São Lázaro até ao Campo 24 de agosto, parando nalguns pontos para a leitura de poemas de Eugénio dedicados à cidade onde viveu por mais de 40 anos.

 




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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