Archive for the 'O SAL DA LÍNGUA SUGERE' Category

04
Out
17

O Sal da Língua sugere… As Mães, por Rui Oliveira

O Sal da Língua sugere, no dia de hoje, o poema “As mães”, do nosso querido Eugénio, dito por Rui Oliveira (https://www.youtube.com/watch?v=CwpETIdqDLk).

“(…) elas estão em toda a parte onde nasça o sol: em Cória ou Catânia, em Mistras ou Santa Clara del Cobre, em Varchts ou Beni Mellal, porque elas são as Mães.

O olhar esperto ou sonolento, o corpo feito um espeto ou mal podendo com as carnes, elas são as Mães. A tua, a minha, se não tivera morrido tão cedo, sem tempo para que o rosto viesse a ser lavrado pelo vento.(…) Com mãos friáveis teceram a rede dos nossos sonhos, alimentaram-se com a luz coada pela obscuridade dos seus lenços. Provavelmente estão aí desde a primeira estrela. E o que elas duram!(…)

Elas são as mães, ignorantes da morte mas certas da sua ressurreição.”

 

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02
Jul
15

O Sal da Língua sugere… Festival Silêncio 2015

O Sal da Língua sugere, para estes dias que se avizinham (2 a 5 de julho), uma visita, várias visitas ou, se possível for, a permanência no Festival Silêncio 2015. O Festival Silêncio, com palco no Cais do Sodré (eixo da Rua de São Paulo), é a celebração da palavra enquanto unidade criativa, veículo do pensamento e da criação. Durante quatro dias, o Festival Silêncio oferece à cidade de Lisboa uma programação pensada em conjunto com uma diversidade de artistas, produtores, entidades de criação, estruturas de divulgação e instituições de carácter social e cultural locais, nacionais e internacionais. O Festival Silêncio é a festa da palavra dita, escrita, pensada, encenada, cantada, musicada, filmada e ilustrada. É um convite à cidade de Lisboa, é de todos e para todos.
Mais informações aqui: http://festivalsilencio.com/

FestivalSilencio_site

16
Mar
15

O Sal da Língua sugere… Eugénio na Casa Fernando Pessoa

Num seu artigo de 28 de janeiro de 2015, o blogue da Casa Fernando Pessoa (http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/) fala de Eugénio de Andrade e permite conhecer as obras na Biblioteca da Casa Fernando Pessoa em que Eugénio de Andrade é seleccionador, organizador, tradutor, prefaciador e posfaciador (ver as figuras abaixo).

Imagem1

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O conteúdo desse artigo encontra-se aqui:

“Em Janeiro olhamos Eugénio de Andrade e descobrimos o catálogo da Biblioteca. Eugénio de Andrade é o pseudónimo de José Fontinhas, nascido em 1923, na Póvoa da Atalaia (Fundão) e falecido a 13 de Junho de 2005 no Porto. A sua infância é vivida na Beira Baixa, em espaço rural onde a natureza marca o seu quotidiano. A sua infância é igualmente marcada por uma mãe atenta à sua formação, em particular na área das letras. Mais tarde vive em Lisboa e Coimbra, mas será no Porto que encontrará pouso. Para além de uma vida dedicada à escrita, profissionalmente foi funcionário superior dos Serviços Médico-Sociais.
Ao longo da vida vê a sua obra literária ser reconhecida com a atribuição de muitos e variados prémios, nacionais e internacionais: Prémio Pen Clube, 2002 (Os Sulcos da Sede); Prémio D. Dinis, em 1987; Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE), em 1989; Prémio Vida Literária da APE, em 2000; Prémio Camões, em 2001; Prémio APCA (Brasil, 1991), Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (República da Sérvia, 1996), Prémio Celso Emilio Ferreiro (Espanha, 2001). Autor multifacetado, Eugénio de Andrade é poeta, prosador, tradutor, prefaciador e posfaciador. É também autor de Antologia de Poemas portugueses para a Juventude (Edições ASA, 2002). Como tradutor trabalha variados autores nomeadamente os espanhóis Federico García Lorca e Antonio Buero Vallejo, os gregos Safo, Yannis Ritsos, o francês René Char e o argentino Jorge Luís Borges, bem como das Cartas Portuguesas atribuídas a Mariana Alcoforado. (…) Da obra do poeta, destaca-se a colecção Obras de Eugénio de Andrade (uma edição Limiar), bem representada na biblioteca da Casa Fernando Pessoa. Esta colecção encontra-se dividida em três partes: poesia, prosa e recriação poética. As duas primeiras partes são da sua autoria, a terceira é formada por traduções (recriações) da obra de terceiros. As suas obras estão traduzidas em várias línguas: alemão, búlgaro, catalão, checo, espanhol, chinês, francês, inglês e neerlandês. Conheça as obras do autor que estão traduzidas e existem na Biblioteca da Casa Fernando Pessoa aqui.
Eugénio de Andrade publicou mais de 30 títulos de poesia, três títulos de prosa, dois títulos a pensar nos mais pequenos, 10 antologias e mais de 70 traduções, em livros e publicações periódicas tanto portuguesas como estrangeiras. Os 200 registos, que na base de dados desta biblioteca existem, mostram bem a actividade intensa que desenvolveu. Conheça a presença do autor na Biblioteca da Casa Fernando Pessoa aqui.”

Pesquisa de Teresa Monteiro (Biblioteca da Casa Fernando Pessoa)

27
Set
13

O Sal da Língua sugere…António Ramos Rosa para sempre

O Sal da Língua celebra a poesia de António Ramos Rosa, um dos grandes poetas em língua portuguesa que nos deixou, esta semana, aos 88 anos.

“Na poesia de Eugénio de Andrade há a busca de um reino perdido, que tanto pode ser a infância ou o amor ou a realidade originária, que tantas vezes se consubstancia na terra.” António Ramos Rosa

Aqui fica o “Poema de um funcionário cansado”, até sempre António!

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só.

09
Ago
13

O Sal da Língua sugere… Urbano para sempre

Hoje, dia 9, um grande homem das palavras partiu – Urbano Tavares Rodrigues. O Sal da Língua presta homenagem ao escritor, ao cidadão, ao lutador de princípios, ao humanista, à pessoa grande e generosa que era.

A propósito de Eugénio de Andrade, Urbano Tavares Rodrigues disse (Fonte: Artigo “Dez cartas e um postal para Eugénio”, Jornal DN, 19 de janeiro de 2005):

[a poesia de Eugénio de Andrade] «mobilou horas de tristeza e desalento com o seu ardor suave, a sua aspiração à unidade, à perfeição»

«Li, um a um, todos os seus livros, os muitos que me ofereceu e os que adquiri, e sempre nas suas obras encontrei a beleza das coisas essenciais, a união do sagrado e do profano, uma sensualização permanente do mundo e da vida e as ideias decantadas numa nua e nova claridade. E bem assim a atenção a todos os elementos, ao fogo da existência, aos rios da noite, às vibrações cúmplices da pele e da terra. Na sua poesia achei o absoluto no mistério decifrado de uma folha de árvore, num raio de sol, num olhar subitamente universal, na eterna procura da mãe, na abertura ao infinitamento pequeno que resume o cosmos. A sua poesia, Eugénio, tem essa difícil simplicidade que só se obtém com o domínio de todos os materiais líricos (…)».

790459

 

20
Abr
13

O Sal da Língua sugere…A Hora da Estrela

O Sal da Língua sugere uma visita à exposição A Hora da Estrela, sobre a escritora Clarice Lispector, que está patente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, até junho. Com curadoria de Júlia Peregrino e Ferreira Gullar, a exposição está integrada nas comemorações do Ano do Brasil em Portugal e assinala os 35 anos sobre a morte de Clarice, trazendo-nos um conjunto de textos, fotografias e documentos pessoais da escritora. Associada à exposição a Gulbenkian organiza ainda uma agenda de atividades, com oficinas literárias para famílias, conversas sobre Lispector com escritores portugueses, como Lídia Jorge e Ana Vidigal, entre outras atividades.

Para saber mais… aqui.

Deixo uma imagem de Lispector e um poema de Carmen Silva Presotto, em homenagem à escritora, trazidos diretamente do espaço irmão Vidráguas.

clarice_lispector

Lendo Clarice Lispector…

Debruço-me nas letras
abismo do som, para que
uma palavra viva…
… deixo-me, toda, no instante

mergulho no espaço,
novamente, busco o presente
este tempo que sente e
por isso se recente no quando

venho dizer do acontecido, quando
todo acontecer é elo ao que apenas
em mim se entristece por desacontecer.

Carmen Silvia Presotto

27
Jun
12

O Sal da Língua sugere… Festival Silêncio

O Sal da Língua sugere, para os próximos dias, uma ida ou várias ao Festival Silêncio,que decorrerá na cidade de Lisboa de 26 de Junho a 1 de Julho. O Festival Silêncio apresenta-se como tendo o objectivo de “devolver o poder à palavra cruzando-a com as diferentes artes e sublinhando o papel vital desta na criação artística. A palavra inscreve-se na vida da cidade pela mão de escritores, artistas plásticos, encenadores, músicos, actores, cineastas que exploram essa íntima relação com a linguagem. Seja qual for o seu modus operandi, é através da palavra que grandes nomes da cena literária e artística irão partilhar com o público a sua própria visão do mundo.” Este Festival é, assim, uma celebração  da poesia e da escrita, dando espaço ao silêncio, à reflexão e à palavra. O Festival será palco de espectáculos, cinema, leituras e conversas.

No campo da poesia destacam-se os seguintes eventos: No dia 27 de Junho a conversa “Onde o silêncio mora”, em que dois poetas da novíssima geração, Margarida Vale de Gato e Miguel-Manso, falarão sobre a sua poesia numa conversa moderada pela jornalista, e uma das dinamizadoras da tertúlia Avenida dos Poemas, Raquel Marinho. No dia 30 de Junho os poetas João Luís Barreto Guimarães e Maria do Rosário Pedreira discorrerão sobre a sua arte poética numa conversa com moderação do poeta e crítico literário Eduardo Pitta. Também no dia 30 a jornalista Anabela Mota Ribeiro, o poeta e ensaísta Nuno Júdice e o realizador Miguel Gonçalves Mendes conversarão sobre a dimensão poética na vida e obra de José Saramago. Para além das conversas sobre poesia destacam-se ainda os projectos musicais poéticos, como “Os Poetas”, de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, que tem um único álbum editado em 1997 (Os Poetas – Entre Nós e as Palavras), o “Neurotycon”, dos Pop Dell”Arte, onde revisitam várias referências (de Homero a William Gibson) e o concerto especial de Mão Morta, de forte componente spoken word, revisitando a sua obra mas também a poesia de Al Berto.

 




"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." Eugénio de Andrade
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“Sobre Eugénio sobra-me em emoção e lágrimas o que escasseia em palavras. Não há claridade que te descreva, meu querido Eugénio. És o meu poeta de ontem e de sempre. Mantinha um desejo secreto de te conhecer um dia, passar uma tarde contigo de manta nas pernas a afagar os gatos que tanto amavas. Em silêncio, sim, pois sempre foi em silêncio que me disseste tudo ao longo destes anos todos em que devorei as tuas palavras. Tu não poupaste o coração e por isso viverás sempre. Não há morte que resista a isso.” Raquel Agra (13/06/2005)

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